| |
Só a partir do século XVII é que as bebidas e doces gelados se tornaram hábito na sociedade portuguesa. A dificuldade de obter neve foi um dos motivos para tão tardio hábito, quando nas cortes europeis já à muito se conhecia e apreciava o gelado.
Com Filipe II de Espanha no trono português, Lisboa não podia manter-se indiferente à cada vez mais famosa sobremesa. Surgiu assim uma nova profissão – a de neveiro, ou seja, os comerciantes iam à Serra da Estrela buscar a preciosa neve. No início de cada Outono, os neveiros desentupiam os covões da Serra da Estrela, onde recolhiam e acondicionavam o gelo. Sucedia-se a odisseia da viagem até Lisboa, pelas escassas estradas de então. Evitando as horas de calor, o transporte era geralmente feito em diversas etapas nocturnas. Uma viagem que encarecia o preço final do produto, mal chegava à capital. No entanto as bebidas nevadas faziam sucesso e a procura era elevada.
Por volta de 1715, já D. João V reinava, haviam inúmeros fabricantes de gelados na capital portuguesa.
Voltar
|
|